Os fungos




Só em meados do século XX é que os cientistas declararam que os fungos pertenciam a um reino só seu, separando-os, por fim, das plantas. Poderá parecer estranho, mas os animais estão mais próximos dos fungos em termos evolutivos do que das plantas. Acredita-se que os animais e os fungos tenham partilhado um antepassado há 1,3 mil milhões de anos.


Todos os anos são descritas, em média, perto de 3.000 novas espécies de fungos, o que, só por si, mostra a diversidade quase indizível deste reino. As suas formas são imensas, tal como são os estilos de vida que levam e as relações que têm com o ambiente e com os outros organismos à sua volta. Existem em praticamente todos os tipos de habitat e podem existir sozinhos ou em associações com animais, plantas, algas e até bactérias. Podem ser importantes aliados, vizinhos pacatos ou terríveis adversários.


Uma diversidade imensa

Quando pensamos em fungos é normal que a nossa mente fuja para os cogumelos. Contudo, ainda que todos os cogulemos sejam fungos, nem todos os fungos produzem cogumelos.

De muitas formas e cores, os cogumelos são as estruturas de alguns fungos que servem para dispersar as suas células sexuais, os esporos. Não se sabe ao certo o porquê de uma tão vasta gama de tipos de cogumelos. Sabe-se que as plantas, por exemplo, evoluíram as suas flores para atraírem certos tipos de animais polinizadores, com cheiros, cores e sabores distintos. Mas a quem querem os fungos agradar com os seus cogumelos? Permanece um mistério.



A Amanita muscaria, também conhecida como mata-bois, é talvez o tipo de fungo mais conhecido. Com um chapéu, ou píleo, vermelho-vivo ou alaranjado, salpicado de pintas brancas, esse cogumelo é presença assídua em contos de fadas. Contudo, pode ser venenoso não se tiver o devido cuidado. Isto, porque, como nos diz Ireneia Melo, tudo em moderação é uma experiência. Basta perguntar às lesmas, que se alimentam de A. muscaria mas não parecem ser negativamente afetadas por ela.

Alguns cogumelos com propriedades psicadélicas podem ser tóxicos e fatais se consumidos em excesso, mas, com peso e medida, podem servir para ampliar os nossos sentidos e aceder a outros mundos, como o faziam e talvez ainda façam xamãs de povos tradicionais.

Além desse cogumelo fantasioso, há um sem-número de muitos outros, como as esferas ocas e abertas quais bocas escancaradas de gargantas cor-de-laranja do Caloscypha fulgens, o “barrete” violeta e corpo retorcido do Laccaria amethystina, o topo alvo e quase translúcido do Oudemansiella mucida, o corpo laranja fluorescente dos Favolaschia, que parecem encimados por favos de mel, ou a estrutura mistificante dos Clathrus ruber.


Estes são apenas alguns dos muitos e muitos exemplos de cogumelos visualmente exuberantes. Há, claro, outros mais discretos, de tonalidades mais desvanecidas, mas que, contudo, não deixam de ser extraordinários pelas suas estruturas e formas. Uns têm chapéus que apontam para o céu, outros parecem tê-los vestido ao contrário, e outros têm-nos aplanados. Como se não bastasse, uns cogumelos têm, na face inferior do chapéu, lâminas, como os míscaros-amarelos e as amanitas-dos-césares. Outros têm agulhas, como os Hydnum repandum, outros têm pregas tipo rugas, como os cantarelos, e ainda outros têm poros debaixo do chapéu. Todas essas estruturas são responsáveis pela produção e libertação dos esporos.


Há também os que parecem bolbos, tipo batatas, que no seu interior têm incontáveis esporos que são libertados por pequenas aberturas, quando amadurecem e rompem ou quando pisados, como os do género Lycoperdon, ao qual pertencem os “bufas-de-lobo”.

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Por: Filipe Pimentel Rações


Data: 22-07-2026



Fontes/Links:

https://greensavers.sapo.pt/o-reino-escondido-como-os-fungos-governam-o-mundo/

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