A Quercus e a Environmental Paper Network consideram que a perda de resiliência do território não resulta apenas de fenómenos naturais, mas também de décadas de políticas florestais que, na sua perspetiva, favoreceram a expansão do eucalipto e os interesses da indústria da pasta de papel, papel e biomassa lenhosa.
Segundo o comunicado, a concentração de grandes áreas de eucalipto favorece a propagação rápida dos incêndios e aumenta a pressão sobre os recursos hídricos, contribuindo para a secagem dos solos e agravando os efeitos dos períodos de seca. As organizações apontam ainda para a expansão dos eucaliptais, sobretudo nas regiões Centro e Norte.
As entidades citam também uma recomendação feita em 2022 pela Relatora Especial das Nações Unidas para os Direitos Humanos e o Ambiente, que defendia uma redução significativa da área de eucaliptal e a sua substituição por espécies autóctones, como carvalhos, sobreiros e castanheiros, acompanhada pela criação de paisagens mais diversificadas.
Entre as medidas consideradas urgentes está uma moratória à plantação e rearborização com eucalipto em todo o território nacional. As organizações defendem ainda a criação de um plano nacional que permita reduzir progressivamente a área de eucaliptal até 2030 e substituí-la por espécies autóctones, incluindo carvalhos, sobreiros, castanheiros e azinheiras.
A revisão do Regime Jurídico das Ações de Arborização e Rearborização (RJAAR) e o reforço da fiscalização no terreno são igualmente apontados como medidas necessárias.
As organizações propõem ainda a aplicação do princípio do “poluidor-pagador”, através de uma taxa sobre o impacto ambiental da indústria da pasta de papel e da biomassa. Segundo a proposta, as empresas beneficiárias da monocultura deveriam contribuir para financiar a prevenção e o combate aos incêndios, bem como o restauro ecológico das áreas afetadas.
Apoio à floresta autóctone
No âmbito das medidas para o território rural, a Quercus e a Environmental Paper Network defendem apoios financeiros aos pequenos proprietários que mantenham ou plantem floresta autóctone, bem como a criação de mosaicos paisagísticos e faixas de proteção com espécies folhosas e galerias ripícolas.
O incentivo à pastorícia e à agricultura de montanha é outra das medidas propostas, enquanto formas de gestão da biomassa e de combate à desertificação das zonas rurais.
As duas organizações consideram que a prevenção dos incêndios exige uma transformação do modelo florestal português, defendendo que a proteção da população e do território deve prevalecer sobre os interesses económicos associados à monocultura do eucalipto.
Data: 21-08-2026
Fontes/Links:
https://environmentalpaper.org/
Outros Links relacionados:
https://vaqueirinhoampv.blogspot.com/p/a-expansao-descontrolada-do-eucalipto.html
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