Fauna - Lobo



Canis lupus signatus Cabrera, 1907


 Animalia > Chordata > Mammalia > Carnivora > Canidae > Canis


Avistamentos: não. 


Estatuto de conservação:

Segundo a UICN, o lobo apresenta a nível Mundial, desde 1996, o estatuto de “Baixo Risco”, com indicação de dependente de conservação para a Península Ibérica, que constitui um dos seus últimos redutos na Europa Ocidental.

Em Portugal, o lobo está totalmente protegido desde 1988 (Lei 90/88 de 13 de Agosto, posteriormente regulamentada pelo Decreto-Lei 139/90 de 27 de Abril), sendo proibido o seu abate ou captura e a destruição ou deterioração do seu habitat. Há mais de uma década que o lobo é classificado como “Em Perigo de Extinção” no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal e encontra-se ainda incluído no Anexo II da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção) e no Anexo II da Convenção de Berna (Convenção Relativa à Conservação da Vida Selvagem e dos Habitats Naturais da Europa). A nível da Comunidade Europeia, o lobo é considerado uma espécie prioritária para a conservação segundo a Directiva Habitats.


Data: 4-09-2023


ATUALIZAÇÃO

Governo aprova a revisão do regime da proteção do lobo ibérico

O Governo aprovou hoje a revisão do regime da proteção do lobo ibérico, atualizando as regras de pagamento de indemnizações aos produtores pecuários por danos causados por ataques, anunciou o ministro da Presidência.

“Atualizámos e alterámos as regras de pagamento de indemnização aos produtores pecuários que são afetados e que são aqueles que acabam por estar na linha de frente de suportar uma decisão coletiva, que é proteger ou respeitar a proteção deste animal raro, que é o lobo ibérico”, afirmou António Leitão Amaro na conferência de imprensa relativa à reunião semanal do Conselho de Ministros.

De acordo com o governante, em algumas zonas do país, como na região de Trás-os-Montes, “têm crescido os ataques de lobo ibérico” a animais de explorações e produções pecuárias.

“Para podermos ter esta proteção, temos também que cuidar daqueles que sofrem com a existência dessa proteção, compensando-nos naturalmente com (…) este impacto que resulta para eles pontualmente, mas que é grave, quando lhes bate à porta, de terem os seus animais mortos por lobo ibérico”, salientou.

Leitão Amaro observou que para se proteger o lobo ibérico também é necessário “defender o modo de vida humano e as suas condições”.

“Nem é ecofundamentalismo, nem é econegacionismo. É equilíbrio. Queremos proteger o ambiente, queremos proteger as espécies animais, queremos proteger a qualidade de vida (…) e as condições de vida das pessoas”, sustentou.

A reversão do declínio do lobo em Portugal é o objetivo do “Programa Alcateia 2025-2035”, que contempla a recuperação e proteção de habitats, a presença de alimento e a redução do conflito com o homem.

O “Programa Alcateia” aplica-se sobretudo às áreas de presença do lobo em Portugal, especialmente a região norte do continente, mas estende-se também mais para o interior sul, até ao distrito de Portalegre.

Tem quatro objetivos estratégicos: garantir condições ecológicas mais favoráveis à conservação do lobo, melhorar a coexistência com as atividades humanas, reforçar a monitorização e conhecimento, e sensibilizar para a conservação.

O programa foi apresentado em julho no Ministério do Ambiente pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e com ele pretende-se a recuperação e proteção de habitats em locais onde existem lobos, mas também de onde estes desapareceram nos últimos anos.

Pretende-se também a promoção de presas selvagens, como o corço, e a redução da mortalidade por causas não naturais.

O programa contempla ainda a conservação e recuperação de corredores ecológicos, reforçando a ligação a áreas de lobos de Portugal e Espanha, e a redução do conflito associado aos ataques de lobos a animais como ovelhas, melhorando e agilizando o sistema de compensação de prejuízos e a promoção de uma melhor proteção do gado.

O Governo quer ainda reforçar a sensibilização, a vigilância e a fiscalização, para “promover uma maior consciencialização para a importância da conservação do lobo, bem como a prevenir atividades ilegais”, como a colocação de armadilhas de laço e de iscos com veneno.

Promover a valorização cultural e económica do lobo, para que a presença da espécie se possa refletir em benefícios para as comunidades é outro objetivo, bem como melhorar a cooperação com Espanha para implementar medidas que potenciem a conectividade entre as áreas de presença de lobo.


Data: 5-11-2025


ATUALIZAÇÃO

Lobo-ibérico: aprovado o Programa Alcateia 2025-2035


O Governo aprovou hoje o Programa Alcateia 2025-2035, documento através do qual o país quer conseguir um estado de conservação favorável do lobo-ibérico (Canis lupus signatus).


O “Programa Alcateia 2025-2035 – Conservação da População de Lobo-Ibérico em Portugal” foi aprovado através do Despacho n.º 14505/2025, de 5 de dezembro.


Até 2035, o novo Programa Alcateia quer reverter a diminuição do número de lobos-ibéricos em Portugal, assegurando que esta espécie Em Perigo de extinção passa a estar em situação de conservação favorável.


Em Portugal, o lobo esteve presente em todo o território continental até ao início do século xx. Desde então, e à semelhança do registado no resto da Europa, verificou-se uma drástica redução da sua área de distribuição e do respetivo efetivo populacional.


Com o desaparecimento progressivo do lobo, de sul para norte e do litoral para o interior, a área de presença ficou circunscrita a áreas do Norte e Centro do País correspondendo atualmente a cerca de 20 % da distribuição original.


Hoje existem quatro núcleos populacionais: Peneda/Gerês, Alvão/Padrela, Bragança e Sul do Douro. Foram detetadas 58 alcateias (56 confirmadas, 2 prováveis). Estima-se que a população ronde os 300 animais, o que corresponde ao valor médio da estimativa de 190 a 390 lobos. A população portuguesa representa cerca de 15 % da população ibérica de lobo.


Estes dados, resultado do Censo do Lobo-Ibérico 2019/2021, serviram de base ao Programa Alcateia 2025-2035.


A revisão do regime jurídico da conservação do lobo-ibérico e este novo ciclo de medidas prevê cinco objetivos estratégicos e 45 medidas a implementar para os próximos 10 anos, com um financiamento que pode chegar aos 15 milhões de euros, provenientes de diversos instrumentos nacionais e europeus.


Entre esses objetivos estão a garantia de condições ecológicas mais favoráveis à conservação do lobo, a melhoria da coexistência com as atividades humanas e o reforço da monitorização e o nível de conhecimento sobre a espécie.


O programa traz novidades, como a atualização dos valores das indemnizações a atribuir por prejuízos causados pelo lobo à atividade pecuária.


“Uma vez que estes valores não eram atualizados desde 2017, a revisão agora efetuada traduz um aumento justo para os produtores de gado, porque passará a considerar a espécie pecuária atacada e o seu custo no mercado”, explica o Ministério do Ambiente e Energia em comunicado enviado hoje à Wilder.


Para indemnizações por perda de caprinos há um aumento global de 227%; para os equídeos o aumento é de 160%; para os ovinos de 130%; e para os bovinos de 97%. O despacho que suporta esta nova tabela de pagamentos produz efeitos a 1 de janeiro de 2025, pelo que todas as indeminizações referentes ao corrente ano já serão pagas tendo por base esta atualização.


O Programa Alcateia 2035, apresentado oficialmente em julho deste ano, prevê ainda simplificar e acelerar os procedimentos relativos à participação dos danos causados, avaliação de prejuízos e pagamento expedito das indemnizações.


Entre as medidas previstas está ainda o reforço do funcionamento do Sistema de Monitorização de Lobos Mortos (SMLM), a atualização dos dados sobre a situação populacional do lobo em Portugal ou ainda a promoção de ações de vigilância e dissuasão de furtivismo e uso de veneno, com a ajuda do SEPNA.


“O lobo-ibérico faz parte do nosso património natural e cultural, e a sua conservação é uma prioridade da política de conservação da natureza”, comentou, em comunicado, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho. “Temos de evitar o seu desaparecimento agindo ao nível do restauro ecológico, assegurando que os danos causados são devidamente compensados.”


O processo de elaboração deste Programa, conduzido pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) incluiu um período de consulta pública entre 18 de julho e 30 de setembro de 2025; foram recebidas 42 participações.


“O Programa Alcateia reflete o nosso compromisso efetivo com a conservação do lobo-ibérico”, declarou a ministra.


Cabe agora ao ICNF apresentar, no espaço de dois meses, um cronograma detalhado com as medidas do Programa Alcateia e um painel de indicadores com vista à sua monitorização.


Data: 6-12-2025



Fontes/Links:

https://naturdata.com/especie/Canis-lupus-signatus/6691/0/

https://www.loboiberico.pt/



Outras Notícias, Fontes/Links:

https://www.agroportal.pt/bruxelas-alerta-para-perigo-do-regresso-de-lobos-a-zonas-de-onde-estavam-ausentes/


Atualizações:

(5-06-2025)

Conselho da UE dá aprovação final à redução da proteção dos lobos

https://www.agroportal.pt/conselho-da-ue-reducao-da-protecao-dos-lobos/

(5-11-2025)

Governo aprova a revisão do regime da proteção do lobo ibérico

https://www.agroportal.pt/governo-reve-protecao-do-lobo-iberico-e-atualiza-indemnizacoes-por-ataques/

(5-12-2025)

Lobo-ibérico: aprovado o Programa Alcateia 2025-2035

https://wilder.pt/historias/lobo-iberico-aprovado-o-programa-alcateia-2025-2035

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