Aldeia do Candal (19 img)


Localizada na vertente oeste da Serra da Lousã, a Aldeia do Candal integra um conjunto edificado de cariz rural, de planta irregular composta por núcleos de habitações e arruamentos estreitos, atravessado pela Ribeira do Candal e pela EN 236. 

A aldeia é formada por aglomerados de habitações, maioritariamente de xisto, que se dispõem em forma de anfiteatro pela encosta da serra; nestes seis conjuntos de casas - três, a sul, de maiores dimensões, que compõem o centro da povoação, e outros três, mais dispersos e diminutos, a este - predominam as residências unifamiliares rurais, erguidas em aparelho xistoso coberto por telha de canudo, apresentam, por norma, dois registos, com o piso cimeiro, originalmente formado por uma divisão com soalho de madeira, destinado a habitação, e o térreo, a curral ou armazém agrícola.

No conjunto do povoado ganham destaque, pelos seus programas singulares, a antiga escola primária, edificada na década de 20 do século XX, com contribuições financeiras dos emigrantes candelenses que residiam nos Estados Unidos da América, o chafariz de espaldar, com tanque ao centro, ladeado por conversadeiras assentes sobre panos murários com pináculos nas arestas, cinco moinhos hidráulicos e um lagar de azeite, edificados entre 1919 e 1920 ao longo da margem direita da ribeira, o lavadouro público, inserido em cota baixa, com telheiro, e uma Alminha, a única construção religiosa que existe na aldeia.


História

À semelhança das restantes aldeias de xisto da Serra da Lousã, a Aldeia do Candal tem origens remotas. Os primeiros registos documentais dos povos da Serra datam da Idade Média, sendo possível que estas povoações derivem de grupos ligados à transumância que, paulatinamente, se foram fixando. Certo é que em 1687 o Candal era referido na documentação oficial como um "casal".

Tal como as outras povoações serranas, o Candal vivia da pastorícia e da agricultura, estando ambas as atividades muito limitadas pelas condicionantes da paisagem, sendo esta última, essencialmente, um cultivo de subsistência. Como sustento paralelo, estas populações dedicavam-se à produção de carvão, que era vendido na Lousã e, por vezes, em Miranda do Corvo.

As circunstâncias difíceis de uma economia local precária determinaram um fenómeno migratório desde pelo menos a centúria de Setecentos, primeiro com destino à vila da Lousã, depois para o Alentejo. Nos finais do século XIX estas povoações começaram a mudar-se para Lisboa e, alguns anos depois, os grupos de serranos começaram uma emigração progressiva com destino ao Brasil e à América. Em consequência, estas aldeias foram assistindo a um progressivo decréscimo do seu número de habitantes, culminando com um 
despovoamento ocorrido em meados da década de 80 de Novecentos.

No início do século XXI, as aldeias da Lousã foram "redescobertas" e ocupadas por nova vaga de habitantes forâneos, sobretudo jovens estrangeiros, que procuraram reanimar a vida económica, social e cultural destas povoações. Integradas na rede Aldeias do Xisto, as aldeias da Lousã apresentam atualmente uma oferta turística de âmbito regional, que se baseia nas características únicas da sua arquitetura, no envolvência paisagística, nos 

recursos ambientais, e nas tradições gastronómicas e culturais locais. A aldeia do Candal, por ter uma acessibilidade privilegiada graças à sua localização junto à EN 236, apresenta-se, no momento, como a aldeia mais desenvolvida de Serra da Lousã.

Catarina Oliveira

DGPC, 2016




algumas imagens da Aldeia do Candal...


a aldeia do Candal em 1959 (Cinemateca portuguesa)


antes da era dos telemóveis, a aldeia do Candal era o povoado da serra que dispunha de telefone público! 

(maio 2003)

(agosto 2010)















(abril 2026)



e divulgamos ainda aqui diversos links com mais informação e imagens sobre esta Aldeia.

O Blog UM PIGO DE LUZ (aparentemente descontinuado) que inclui várias imagens relativas a esta Aldeia e à Capelinha da Senhora da Paz, (maio de 2013). 

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