Fauna - Castor

 





De acordo com notícias recentes, surgiram finalmente evidências da presença do castor-europeu (Castor fiber) em território português, na sequência de uma monitorização da Rewilding Portugal em zona de fronteira com Espanha. A dispersão natural deste verdadeiro engenheiro dos rios para território português representa não apenas o regresso de uma espécie outrora extinta localmente, mas também um dos passos mais significativos no rewilding aquático dos nossos rios em Portugal.

Em Portugal, o castor ter-se-á extinguido no século XV devido à destruição de zonas húmidas e à caça excessiva. No resto da Europa, o desaparecimento deste mamífero chegou mais tarde, no final do século XIX. A espécie viu-se reduzida a poucas populações fragmentadas devido, principalmente, à caça intensiva (por causa da carne, pêlo e óleo de castor).


Data: 12-06-2025


Atualização

Restaurar a Fauna em Falta: O regresso do castor como uma oportunidade para os rios de Portugal

Há espécies que habitam a paisagem. E há espécies que a constroem. O castor-europeu (Castor fiber) pertence ao segundo grupo — é aquilo a que a ecologia chama um engenheiro de ecossistemas, um animal que não se limita a viver no seu ambiente, mas que o transforma de forma profunda e duradoura. As suas barragens, ou açudes, levantadas com ramos, troncos e lama, convertem cursos de água lineares em mosaicos de zonas húmidas. E é a partir desse gesto simples que se desencadeia uma cascata de efeitos ecológicos notável pela sua amplitude.

(...)

Uma ausência de cinco séculos

Em Portugal, o castor terá desaparecido entre a Romanização e a Idade Média, vítima da caça excessiva e da destruição das zonas húmidas, numa época em que a pressão sobre a fauna era descontrolada. A evidência da sua presença histórica permanece nos registos fósseis — como na Gruta do Caldeirão, perto de Tomar — e na toponímia, com lugares cujos nomes parecem derivar de designações arcaicas para o animal. Durante cerca de quinhentos anos, os rios portugueses ficaram sem o seu engenheiro.

(...)

E em Portugal?

Em maio de 2025, a nossa equipa de monitorização confirmou, em vídeo e fotografia, a presença de um castor-europeu jovem adulto em território português, no Parque Natural do Douro Internacional, junto à foz do rio Tormes. Primeiro foram as marcas de roedura características nos troncos; depois, as imagens captadas por foto-armadilhagem. Após cerca de 500 anos de ausência, o castor chegou por dispersão natural, a partir das populações espanholas que se têm expandido ao longo das últimas duas décadas — um processo que começou em 2003, com a libertação não oficial de 18 indivíduos no rio Aragão, afluente do Ebro, e que alcançou progressivamente as bacias do Douro e do Tejo. Já em 2023 havia registos de castores a escassos quilómetros da fronteira portuguesa, nos Arribes del Duero. Na altura dissemos que era uma questão de tempo. E aqui estamos.

Agora é preciso preparar as condições para que fique. Um único indivíduo dispersante não faz uma população. Para o castor se estabelecer e reproduzir de forma sustentada são precisos grupos reprodutores, locais com habitat ribeirinho adequado ao longo das bacias do Douro e do Tejo, e comunidades locais e agricultores preparados para a sua presença — com informação, com mecanismos de gestão de conflitos e com a garantia de apoio técnico quando surgem problemas.

É aqui que um programa de reintrodução formal faz toda a diferença. Não substitui a expansão natural — aproveita-a. Pega no impulso que a natureza já iniciou e acelera-o, consolida-o, distribui-o por múltiplas bacias, em vez de esperar que o castor percorra sozinho centenas de quilómetros de rios degradados. A diferença entre ter castor no Douro Internacional em 2025 e tê-lo no Tejo, no Mondego e no Guadiana em 2035 pode estar exatamente aí: na decisão de agir agora.

Data: 22-06-2026




Fontes/Links:








ΦΦΦ

Sem comentários:

Enviar um comentário

Obrigado pelo seu comentário!